08 3 / 2013
Vamos, não chores…
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o ‘humour’?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.
22 2 / 2013
Minhas lágrimas não caem mais,
Eu já me transformei em pó
E os meus gritos não se escutam mais
Estão na direção do Sol
Meu futuro não me assusta ou faz
Correr pra desprender o nó
Que me amarra a garganta e traz
O vazio de viver só…
Se alguém encontrou um sentido para a vida, chorou
Por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo transformando o silencio que até então é mudo
Naquela canção,
que parece encontrar a razão
Mas que ao final se cala frente ao tempo que não para frente a nossa lucidez.
Meu futuro não me assusta ou faz
Correr pra desprender o nó
Que me amarra a garganta e traz
O vazio de viver só…
25 1 / 2013
Todas as questões continuam sem resposta, todos os indícios levam a um beco sem saída. Essas coisas tornam as pessoas obsessivas.
17 1 / 2013
Entra pra ver
como você deixou o lugar
E o tempo que levou pra arrumar
aquela gaveta
Entra pra ver
Mas tira o sapato pra entrar
cuidado que eu mudei de lugar
algumas certezas
pra não te magoar
Não tem porquê
Pra ajudar teu analista:
“Desculpa.”
Mas se você quiser
alguém pra amar
ainda
Hoje não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém
Mas fica um pouco mais
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?
Que bom
Mas se você quiser
alguém pra amar
ainda
Mas se você quiser
alguém pra anular
ainda
Desculpa, não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém
17 1 / 2013
Nunca se esconda assim
Eu não vou saber te falar, te explicar que
Eu também me assusto muito
Você nunca vê que eu sou só um menino destes tais
Que pensam demais
Logo mais, vou correr atrás de ti.
16 1 / 2013
Eu tô assim, sem fogo
Não quero jogo
Nem competição
Qu’o tempo aqui é cego,
Não vou ser prego
Da televisão
Eu tô sem fé nem santo
E peço tanto
Que me deixem em paz
Qu’o hoje em dia é quieto
Já quis ser reto
Eu não quero mais
Vou caminhando
Vou vendo o sol se pôr
Eu vou na calmaria
Até onde eu não queria
E vou andando
Vou vendo o sol e a cor
Já canso d’apagar
Imploro pra poder voar
Caí assim, sem vontade
Pela metade
Eu vivo a esperar
Meu coração tá manso
Eu só descanso
E espero passar
16 1 / 2013
É tanto compromisso
Obrigação e sacrifício
Qu’eu vivo aqui no vício
De pensar em ti
E só!
03 12 / 2012
“Obrigado por não ter voltado pra buscar as coisas que se acabaram. E também por não ter dito obrigado, ter levado a ingratidão bem guardada.”
14 11 / 2012
Se alguém diz que nada pode ser feito, “sempre foi assim e sempre será”, que não adianta mexer um dedo para mudar, podes ter certeza, você “alguém”, que você é tão responsável pelo crime quanto os criminosos, porque cada vez que proferes tais palavras, você aperta a corda da forca da injustiça, ao invés de roê-la e cortá-la, cada vez que se negas a mover-se rumo à mudança, à humanização, à humanidade, à paz, ao outro, és tão responsável e o sangue corre por suas mãos, ou melhor, por sua boca e coração, que se negaram a dizer uma palavra de protesto e a sentir uma gota de revolta.
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Mas eu continuo pedindo com insistência - Nunca diga que “sempre foi” e, principalmente, “sempre será”. Porque só será enquanto quisermos, e se assim é, é porque ainda queremos.
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Que não permitamos mais que em nosso querer se encontre a injustiça, a violência e a morte, o egoísmo, a ganância e a vaidade, a indiferença, a passividade, o silêncio.
